BlackBerry QNX e o uso em aplicativos de saúde

Meu primeiro contato com dispositivos móveis foi na área comercial onde havia que fazer levantamento de dados.  Naquela época nem se falava em wifi e a melhor forma de interface com o computador era o velho e querido RS-232.  Você fazia o levantamento, depois ia até o computador, descarregava os dados e por fim, importava o arquivo para o sistema.

Faz alguns anos me pediram para desenvolver um aplicativo para ajudar na tomada de decisão na hora da chegada do paciente ao hospital.  Ou seja, baseado no menor número disponíveis ou coletáveis de variáveis o sistema devia ajudar ao profissional da saúde (médico, enfermeiro) a derivar o paciente para um ou outro serviço sabendo que muitas vezes a vida do paciente podia verse grandemente afetada por esta decisão.

Na época não haviam muitas opções que fossem acessíveis, financeiramente viáveis ou que me dessem o mínimo de suporte no que tem a ver com a segurança dos dados.

Optamos então por um aparelho da Nokia  rodando uma versão modificada de Linux a 600Mhz que nos permitiu atingir certo grau de maduridade no projeto mas a uma velocidade de fazer inveja a lesmas, tartarugas e afins.  Nem pensar em sonhar sequer em disseminar o que tínhamos feito para outros profissionais fora a base de testes e muito menos para a instituição como um todo.

Passou o tempo e um outro cliente, desta vez uma UTI, se nos apresentou com um problema similar porém com menos exigência sobre a velocidade de resposta -ao final das contas o paciente já estava na UTI mesmo e o propósito não era suporte à decisão e sim levantamento dos sinais vitais- mas continuava com o problema da segurança na hora de levantar os dados e enviá-los.  Desta vez, nos decidimos por um Android (ou seja, mais um Linux modificado) pelo custo da plataforma e a ductilidade que ela tinha mas a experiência não foi das melhores já que os aparelhos escolhidos acabavam sendo alvo da fúria dos usuários ao apagarem de uma hora para outra ou se perderem tentando achar a WIFI  a menos de 50 mts com visada direta e sem obstáculos.

Sou um ferrenho defensor do Linux.  Meus servidores rodam Linux, minhas máquinas de desenvolvimento rodam Linux e dou preferencia a qualquer dispositivo com ele.  De fato sou apaixonado por sistemas operacionais em geral, engoli Tanembaum quando pequeno e tá… fiquei que nem Obelix.  Mas devo de reconhecer que há algumas concessões que o pinguim faz que não nos deixa a bom recaudo quando precisamos de estabilidade ou resposta em tempo real em dispositivos embarcados e tal.

Os mais chegados em sistemas lembram do QNX.
Esta plataforma em tempo real nos permite desenvolver aplicativos realmente seguros para a área hospitalar.  Android e iOS ficam no chinelo. Bada e FirefoxOS nem se mencionam como possíveis concorrente.

Claro, não vou ser exagerado de dizer que devemos sair correndo para o QNX e desenvolver tudo em Ada (a não ser, claro que queiram bancar a faculdade dos meus netos) mas às vezes o programador de aplicativos está na dúvida porque um simples monitoramento de pressão arterial ou batimentos cardíacos não flui tão gostoso como ele imaginou usando C#, Java, Javascript sobre Meebo, iOS, Android, Windows.

QNX é um mundo à parte.  Só por mencionar uma das características do seu microkernel, os sinais podem ser processados em tempo real e isso faz toda a diferença.  Pense em um software de monitoramento de pacientes conectado a um alarme que é disparado usando lógica fuzzy, mas pense grande, não em 10, 20 pacientes, imagine uma seguradora de saúde oferecendo planos de acompanhamento para pessoas da terceira idade que moram sozinhas e/ou distante.  Com certeza não vai querer isso sobre um Android/iOS/Windows Phone

Resumindo a história em três passos: 1) Desenvolva tudo o que não for essencial sobre aquela plataforma que você mais domina ou na que foi treinado na faculdade.  2) Depois de quebrar a cabeça, abandone isso tudo e migre para Linux e relaxe.  3) Quando precise desenvolver sistemas em tempo real, porque não dar uma olhada no QNX?  Às vezes você pode ser surpreendido mais uma vez como quando era mais novo e programava por puro prazer.